O começo de tudo: conhecendo a pessoa por detrás do Trahentem®

Há mais de 25 anos no segmento de desenvolvimento de competências, Flora Alves mostra-se uma entusiasta. Ao longo de sua trajetória, a especialista em treinamento adquiriu conquistas como alcançar a formação de designer instrucional e master trainer da Associação Americana para o Desenvolvimento de Talentos (ATD) e ocupar o cargo de sócia fundadora da SG – Aprendizagem Corporativa Desenhada Sob Medida na qual elabora soluções de aprendizagem personalizadas com capacidade de facilitar a transferência do conteúdo para o cotidiano do colaborador.

Por fim, ela também é autora do livro Instrutor Master e do best-seller Gamification. Ou seja, é notável a dedicação da profissional à carreira e ao estudo de novos métodos de aprendizagem. Inclusive, este comportamento contribuiu para a idealização do Trahentem®. A ferramenta tem o objetivo de guiar os designers instrucionais experientes ou iniciantes durante a construção de uma solução de aprendizagem de uma forma segura e ágil por meio de três Canvas utilizados sequencialmente (ou não) em paralelo a post-its®.

Entre os clientes que experimentaram de perto os benefícios desta metodologia inovadora encontram-se o Serviço Social da Indústria (SESI) de Santa Catarina, Amil, Bradesco, O Boticário e Gol. Ficou interessado?

Confira abaixo uma entrevista exclusiva com a idealizadora do Trahentem®.

O que significa aprendizagem?
Para mim, aprender é um verbo maravilhoso. Significa conseguir conhecimento, tornar-se competente em determinada atividade e aperfeiçoar o comportamento. Ao trazê-lo para o ambiente corporativo, a palavra representa uma mudança de conduta perene. Logo, indica uma modificação do que se faz ou o jeito que se faz por um período prolongado. Essa transformação de conduta pode ser melhorias na performance ou no desenvolvimento de diversos outros comportamentos. É fundamental que os designers instrucionais tenham este mindset a todo instante para se questionarem com frequência sobre as reais necessidades do aprendiz.

Em vez de utilizar o termo “designer instrucional”, você prefere a nomenclatura “designer de aprendizagem”. Qual é o sentido da troca?
O termo designer instrucional entrou em uso na década de 1960 ao longo da Segunda Guerra Mundial a partir da necessidade de treinar o exército americano de maneira veloz e sistemática. Porém, o contexto atual de aprendizagem é outro no qual um erro não apresenta um alto custo – o que reflete na disposição em aprender. A verdade é que hoje em dia os colaboradores estão mais preocupados em cumprir as obrigatoriedades da rotina do que com o treinamento.

Indo contra o que pode parecer, a troca de nomenclatura não é apenas uma questão semântica. Ao se deparar com a palavra “instruir” o cérebro associa o ato a instruções sendo transmitidas para serem cumpridas. Mas, ao modificar o modelo mental e substituir instrução por aprendizagem, o DI se coloca no lugar do facilitador e insere o aprendiz no papel de protagonista. É sobre despir-se da autoridade do conhecimento e se disponibilizar a simplificar o processo de internalização de conteúdo de uma pessoa.

O que te levou a idealizar o Trahentem®?
Nada acontece do dia para a noite. É fundamental investir tempo e energia no aprimoramento dos conhecimentos. E, comigo não é diferente. Eu não tive simplesmente um insight. O Trahentem® nasceu de um encadeamento lógico de conhecimentos alinhados aos acontecimentos. Sou sócia de uma empresa de aprendizagem corporativa sob medida e o desafio que desencadeou a metodologia foi o crescimento da equipe de designers instrucionais em paralelo ao surgimento de dificuldades que esses profissionais tinham para desenvolver soluções de aprendizagem assertivas. Ou seja, que conversassem com os objetivos de negócios dos clientes.

Neste contexto, a prática do design na vida real era um agravante para esta situação. Os briefings que nem sempre estão completos, ausência de especificidade dos objetivos instrucionais e pressão do tempo faziam com que o trabalho fosse improdutivo e muitas vezes até bagunçado. Mas, sejamos honestos, não há um panorama ideal para aplicar a teoria na prática. Sabendo disso eu tinha que ajudar a equipe na transferência do conhecimento para a prática sem prejudicar nenhuma das etapas de construção da solução e nem deixar de pensar no colaborador. Portanto, resolvi criar um modelo de Canvas para explicar ao designer o que deveria ser feito e também para agilizar o trabalho. Pronto. Nascia o primeiro Canvas da ferramenta. Depois foi só dar continuidade a esta linha de pensamento.

Como a ferramenta funciona?
O Trahentem® é composto por três Canvas que atendem às necessidades dos designers instrucionais, pois sintetizam os processos que envolvem a construção de uma solução de aprendizagem. Ao meu ver, é difícil um treinamento ter sucesso sem um objetivo de aprendizagem. Então, o primeiro deles é o DI-Empatia. Responsável pela fase de diagnóstico, o material auxilia a compreender as expectativas da empresa enquanto analisa o perfil do aprendiz por meio do exercício da empatia.

Em seguida,  é preciso refletir sobre os objetivos específicos que servirão de norte para a curadoria de conteúdo. Esta é a função do DI-Tarefas que apresenta o dever de selecionar as informações adequadas ao desempenho esperado do participante. Por fim, o DI-ROPES coordena a construção dos módulos que constituirão a iniciativa de educação corporativa. Este recurso possibilita uma ampla percepção dos conteúdos a serem produzidos – o que ajuda na tarefa de organizar as informações a serem transmitidas de maneira intencional a fim de simplificar a assimilação. Apesar de ser formado por três Canvas, a metodologia não obriga o uso ordenado destes materiais. Logo, caso o profissional já tenha um objetivo de aprendizagem pode começar a manusear a ferramenta a partir do DI-Tarefas, por exemplo.

O que diferencia o Trahentem® das demais metodologias presentes no mercado de Treinamento & Desenvolvimento?

O mercado de T&D promove o desenvolvimento de pessoas. Mas, uma das dores do segmento por conta de uma rotina corrida é priorizar as necessidades da companhia em vez de trabalhar em cima dos  verdadeiros gaps de aprendizagem do colaborador. Muitas vezes o cuidado ao ser humano é esquecido. Neste caso, a ferramenta retoma esta prática tão importante no segmento que é o posicionamento do aprendiz no centro dos processos. Além de resultar em treinamentos mais assertivos, é uma maneira de empoderar os designers instrucionais que terão uma visão ampla do negócio com os Canvas.

Em suma, quais são os benefícios do Trahentem® para uma iniciativa de educação corporativa?
Além do aumento da segurança e agilidade durante a construção da solução de aprendizagem, a colaboração é outro ponto positivo da ferramenta. A partir do uso de post-its® nos Canvas, é possível que mais de um profissional participe da elaboração do projeto (até a alta liderança) e enriqueça-o com a pluralidade de ideias e alinhamento estratégico. A metodologia também tem uma versão virtual que pode ser utilizada em situações com equipes globais que encontram-se em diferentes países.

O Trahentem® é um método disruptivo. Que dica você sugere para quem deseja inovar?
A chave da inovação é o estudo. Não adianta propagar a mensagem da importância da aprendizagem e deixar de adquirir novos conhecimentos. Aprender é um processo contínuo e deve ser feito com a mente aberta para ampliar o repertório. Então, a dica é ser um eterno aprendiz, ter a curiosidade de uma criança e manter o comprometimento no que se propor a realizar.

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