O papel do multiplicador na aprendizagem e como capacitá-los

Os multiplicadores de conhecimento, como o próprio nome já diz, são pessoas engajadas e interessadas em disseminar suas experiências com todos ao seu redor. Esse perfil é fundamental para o crescimento de qualquer empresa, pois é responsável por transformar ambientes e capacitar profissionais.

Mas, o que devo fazer para me tornar um? Para ser um multiplicador, ou seja, trabalhar com educação corporativa e ministrar treinamentos em empresas, é necessário se qualificar na área por meio de especializações e desenvolvimento de diversas habilidades. Nesse post separamos algumas dicas de como capacitá-los. Confira!

Os nossos sentidos são responsáveis pela captação do mundo que nos cerca

Os nossos sentidos são responsáveis pela captação do mundo que nos cerca. É por meio deles que recebemos as informações. Neste exato momento você não está prestando atenção no móvel que está na sua frente, nas pessoas que passam ou até mesmo nos ruídos que com certeza estão sendo emitidos ao seu redor. Talvez agora esteja, pois, a sua atenção foi chamada para isso.

“Temos a habilidade de filtrar irrelevâncias perceptivas, nós somos seletivos. Mesmo que eu tenha chamado a sua atenção para as coisas que estão no seu ambiente, o seu sistema nervoso autônomo ajusta sua consciência aos estímulos e volta a focar na leitura. Assim como a necessidade de pensar conscientemente no movimento da respiração, a atenção tende a controlar a respiração automaticamente também”, explica Flora Alves, CLO da SG – Aprendizagem Corporativa e idealizadora do Trahentem®

As informações que passam por nossos filtros são processadas em nossa memória de curto prazo que é limitada em termos de tamanho, se uma informação não é tratada ela desaparece em cerca de 10 a 15 segundos. Sob o ponto de vista de aprendizagem, se o indivíduo que participa de uma experiência não percebe uma informação como importante automaticamente ela desaparece.

“Sabendo disso precisamos fazer algo para favorecer o processo de retenção. Começamos por manter a atenção do aprendiz para que a informação passe pelo filtro e para isso devemos focar apenas nos aspectos que são realmente importantes. De nada adianta oferecermos um volume excessivo de informações, pois na memória de curto prazo não há espaço para o processamento de grandes volumes. Há estudos que indicam que a memória de curto prazo consegue armazenar apenas de cinco a nove itens, ou pacotes, de cada vez”.

Inserir pequenas quantidades de informação de cada vez favorece a gerência da área cognitiva. Uma vez que as pessoas estejam sobrecarregadas de informações não adianta prosseguir, pois não será possível aprender ou reter. Para facilitar o reconhecimento da relevância e a decisão de que uma informação é importante e merece ser armazenada você deve conectar os novos conhecimentos com aqueles já existentes.

“A memória de longo prazo é virtualmente ilimitada, mas para que os novos conhecimentos sejam resgatados no futuro é preciso organizar bem aquilo que está sendo guardado a fim de que, quando necessário, seja possível resgatar rapidamente aquilo que foi guardado”.

Utilize efetivamente técnicas de apresentação, como contato visual, gestos, técnicas não verbais, entusiasmo pelo tópico, recursos visuais, entre outros

Quando você demonstra entusiasmo e mantém a atenção do grupo focada no que é relevante você está contribuindo para que os estímulos que concorrem com você sejam percebidos como irrelevantes.

A visão é responsável por 83% das informações que captamos no ambiente, a audição por 11%. Ao estabelecer contato visual e utilizar sua voz para demonstrar entusiasmo pelo tema e combinar recursos visuais de maneira adequada você está contribuindo para o envolvimento dos sentidos de seus aprendizes de maneira organizada e significativa e isso favorece o aprendizado.

“Preste atenção em sua comunicação verbal. A projeção da sua voz, o passo e a frequência são cruciais para uma boa apresentação. Faça contato visual para que as pessoas se sintam parte da apresentação e também para detectar a compreensão, incompreensão e até mesmo aborrecimento em sua audiência. Evite estar parado muito tempo e também movimentação brusca e intensa. O nervosismo pode levar você a usar determinado gesto repetidamente (o click de uma caneta, por exemplo)”.

Use perguntas para aumentar as oportunidades de aprendizado

O uso de perguntas se tornou parte integrante de qualquer intervenção e quanto melhor você se tornar na arte de perguntar, melhor será a qualidade das respostas, reflexões e aprendizados de seus multiplicadores. Podemos classificar as perguntas em três categorias conforme abaixo:

Perguntas abertas – são perguntas que requerem respostas compostas por mais de uma única palavra permitindo que os participantes expressem seus pensamentos, sentimentos ideias e opiniões. Utilizar este tipo de pergunta é excelente para obter o engajamento das pessoas.

Perguntas fechadas – às vezes é preferível utilizar este tipo de pergunta especialmente para obter respostas específicas sobre fatos e informações. Um bom exemplo é uma situação na qual você pode querer saber quem leu o texto enviado anteriormente.

Perguntas hipotéticas – são utilizadas quando se deseja levar as pessoas a pensar livremente sobre um assunto para o qual muitas respostas podem ser válidas. Suponha que você esteja facilitando um treinamento sobre atendimento, um bom exemplo de pergunta hipotética poderia ser: “E se um cliente com quem você está falando ao telefone ficasse tão irritado a ponto de dizer que deseja cancelar o contrato e ir para a concorrência? O que você faria?

“Utilizar perguntas é uma arte que anda de mãos dadas com a escuta. Ao fazer uma pergunta para o grupo esteja preparado para esperar a resposta. Não há nada pior que fazer a pergunta e responder logo a seguir. Quando a pergunta é boa o grupo precisa pensar para responder. Sempre acolha as respostas trazidas pelo grupo, agradecendo e construindo a partir dos comentários dos participantes”, finaliza Flora Alves.

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